
Quem pensa que empreender é coisa só de quem está começando a vida profissional precisa conhecer o retrato mais recente do empreendedorismo brasileiro. Um estudo do Sebrae mostra que, no quarto trimestre de 2025, os empreendedores formalizados com 60 anos ou mais atingiram o maior rendimento médio de toda a série histórica iniciada em 2012: R$ 7.458 por mês — mais que o triplo do que recebe quem empreende na informalidade na mesma faixa etária, R$ 2.152.
Uma virada de vida pela via do próprio negócio
O dado confirma algo que quem já decidiu abrir um negócio depois dos 60 sabe na prática: formalizar o CNPJ muda o jogo. A diferença de renda entre quem opera formalmente e quem fica na informalidade não é pequena — é de mais de três vezes — e reforça que o passo de regularizar o negócio, mesmo dando um pouco mais de trabalho burocrático no começo, tende a se pagar rápido em capacidade de vender mais, acessar crédito e fechar contratos que só existem no mercado formal.
O Brasil já tem 4,5 milhões de empreendedores com 60 anos ou mais, um crescimento de 59% em relação a 2012. Ainda assim, esse grupo representa só 15% do total de empreendedores do país, enquanto a população de 60+ já corresponde a 20% de todos os brasileiros em idade de trabalhar — um sinal de que ainda existe um espaço enorme de crescimento pra quem está pensando em dar esse passo mais tarde na vida, sem achar que já passou da hora.
Onde essa história está mais forte
A região Sudeste concentra metade dos 1,9 milhão de empreendedores sêniores do país, com São Paulo na frente (29%) e Minas Gerais em segundo lugar (10%). E tem outro detalhe que chama atenção: proporcionalmente, os empreendedores 60+ geram mais empregos do que outras faixas etárias — 20% deles são empregadores, uma proporção maior que a média geral do empreendedorismo brasileiro. Ou seja, não é só uma questão de sobrevivência financeira na terceira idade: é gente gerando renda pra outras famílias também.
O que isso mostra sobre virar o próprio chefe mais tarde
A história por trás desses números é sempre a mesma, em versões diferentes: alguém que passou a vida inteira trabalhando pra outra pessoa, chegou numa fase em que decidiu tocar o próprio negócio — seja um pequeno comércio, uma prestação de serviço especializada, uma loja online — e descobriu que a experiência acumulada em décadas de trabalho vale muito mais do que parece quando é aplicada em algo próprio. Quem empreende depois dos 60 costuma ter uma vantagem que quem começa mais jovem não tem: rede de contatos madura, reputação já construída no bairro ou na área de atuação, e a paciência de quem já passou por crise antes e sabe que negócio bom se constrói com o tempo, não da noite pro dia.
Palavra de ordem: comece pequeno, mas comece formal
Pra quem está pensando em dar esse passo, o recado do próprio estudo do Sebrae é direto: o CNPJ (mesmo o mais simples, como MEI) já é o que separa quem ganha R$ 2.152 de quem ganha R$ 7.458 por mês na mesma faixa etária. Formalizar não é burocracia por burocracia — é a porta de entrada pra vender mais, pra ter nota fiscal, pra negociar com fornecedor maior e pra provar renda quando for pedir crédito pra crescer o negócio. Se a experiência de vida já está pronta, o próximo passo é só regularizar e começar a colher o que já foi plantado em décadas de trabalho.
